"Transforme a prática em ambiente de reflexão!"

Precisamos conversar sobre a crise!

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arg001.16-criativity-light-prototipPode parecer estranho, eu sei, começar o ano falando de um assunto que, apesar de não sair da mídia, tornou-se persona non grata, praticamente proibido pelo poder de colocar a perder quaisquer encontros, das reuniões ao happy hour. Mas é mesmo preciso conversar sobre a crise, especialmente para se lançar novas perspectivas no início de um pretenso (e desejado) “ano novo”.

Dada minha natureza apreciativa, sempre me acusaram de ser um “otimista incorrigível”, mas eu mesmo não me vejo dessa maneira. O fato é que a crise se transformou numa cunversa de cumadres em que as pessoas parecem competir para ver quem apresenta a pior notícia! Lidamos com esse cenário desde outubro de 2008, isso para falar apenas “desse cenário”. Afinal de contas, quem já viveu tanto ou mais do que eu deve ainda se lembrar do que foi a década de 1980, da inflação em três dígitos às filas para se conseguir um saquinho de leite “Tipo C”. Claro que isso não diminui o significado da atual crise na vida de milhões de pessoas (ou bilhões na esfera global). Entretanto, gosto de lembrar e refletir sobre quantas outras adversidades já foram superadas pela criatividade humana.

Em 2015 andei por boa parte do Brasil, mediando encontros de aprendizagem em diversos estados, trabalhando com diferentes empresas dos mais variados segmentos de negócio. Tive a oportunidade de conversar com pessoas de realidades distintas, o que me permitiu perceber que nosso atual cenário de crise possui três características ainda pouco exploradas ou debatidas: em primeiro lugar, a crise é setorizada, atingindo diferentes setores por vez, em ondas, gerando um “efeito cascata” consequentemente; segundo, grande parte dos problemas em relação as aspectos econômicos hoje dizem respeito à maneira especulativa com que se trata as questões relacionadas à crise. Muitos segmentos ainda não diretamente atingidos temem pela “ausência de perspectivas de futuro”, o que os fazem diminuir os investimentos, desencadeando perdas para vários negócios de suas cadeias produtivas; e a terceira característica é que no Brasil, de uma crise econômica migramos pouco a pouco para uma crise institucional. Os problemas na esfera política estão fazendo com que pessoas e organizações desacreditem, cada vez mais, na potencial melhora do cenário, tanto social quanto econômico, em virtude de se sentirem reféns das instituições que “deveriam resolver o problema”.

E é neste cenário, com o avanço da crise sobre diferentes setores da economia, além dos aspectos especulativos e da depreciação das instituições, que surge o que Pierre Weil chamou de um “Estado de Normose”, quando os comportamentos mais absurdos passam a ser considerados normais, o que reconhecemos quando ouvimos frases como: “Política é assim mesmo!”; “Nada no Brasil vai para frente…”; “O mundo é dos espertos mesmo.”; e “Cada povo tem os políticos que merece!”. Esta última é, com absoluta certeza, a que mais me perturba, pois as pessoas não percebem como depreciam a si mesmas e aos outros (incluindo eu mesmo!) nesta afirmação falaciosa…

O fato é que, quando se tem um trabalho como o meu, depois de um certo tempo você aprende a tomar consciência e ouvir de verdade as pessoas, compreendendo suas angústias, mas também conseguindo extrair lições daquilo que pode parecer meras constatações óbvias. Depois, é claro, o desafio está em transferir esse aprendizado para a prática. Foi assim que, da mesma maneira como pude perceber as três características essenciais da crise, também aprendi a lidar com ela, através de três lições.

A primeira lição que aprendi foi explorar melhor novas oportunidades! A crise nos leva a conhecer (ou reconhecer) outros modelos e setores da economia, novas formas de fazer negócio, seja pela necessidade ou engenhosidade. Como já diz o provérbio português “A necessidade aguça o engenho”.

As especulações do cenário econômico geraram dois comportamentos distintos, manifestados tanto por organizações quanto por pessoas (vulgarmente reduzidas ao títulos de “consumidores” na mídia). O primeiro, que considero negativo, é o crescente corte nos investimentos, porém, por outro lado, algumas pessoas e organizações passaram a perceber a necessidades de terem um consumo mais inteligente, o que é positivo. Eis a segunda grande lição, distinguir investimento de custo, aprendendo a investir não apenas recursos financeiro, mas também tempo e dedicação àquilo que dá suporte à proposta de valor de seu negócio ou às ações ligadas ao seu propósito de vida! Estou aprendendo a fazer diversas escolhas de maneira mais inteligentes, apenas me perguntando sobre o que desejo como retorno do investimento.

Por fim, para cada um de nós e toda a sociedade, a maneira como a crise expôs a instabilidade de algumas instituições, especialmente as políticas e sociais, tornou ainda mais evidente a urgência em revermos algumas crenças e a ideia que temos sobre direitos e deveres, público e privado. E talvez essa seja a principal lição de toda crise, aprender que sempre é tempo de se reinventar para viver melhor!

E você, quais lições já conseguiu extrair da crise? E como as tem colocado em prática?

RGiulianoRafael Giuliano,
nem tão otimista, apenas um cara com consciência de que é possível aprender e ser sempre melhor!

15 comments

  1. Belo texto Rafael!

    Todos dizem que 2016 será difícil, pior, hostil, uma bomba.
    Cabe a nós mudarmos isso e só depende de nós.
    Deste jeito não está indo? Ok, que tal tentarmos outro?

    Grande abraço!

    Marco Duboc

    • Marco, diziam o mesmo de 2015 e, apesar de ter sido um ano de baixo faturamento, obtive excelentes resultados!
      Investi em áreas e serviços mais dinâmicos, oferecendo soluções mais customizadas com ótimas respostas dos clientes.
      Desejo que o cenário melhore nesse ano, mas quero continuar a exercer uma visão crítica sobre meu trabalho e também sobre os produtos e serviços que adquiro, pois passei a acreditar ainda mais na regulação natural do mercado por excelência!

      Um grande ano para nós todos! Que tenhamos o ano que fizermos por merecer!!! 😉

      Rafael Giuliano

  2. Olá Rafael!

    Gostei muito do seu texto. Também acredito na melhora da situação que sempre aprendemos e podemos melhorar com as crises e as adversidades da vida.
    Quando tudo está indo bem, é natural não parar para pensar e refletir sobre as coisas.. agora, quando somos obrigados a mudar e buscar novos caminhos, um mundo novo se abre!

    Grande abraço!

    • Olá Thaís,

      E o mais fascinante é perceber que “quando está tudo bem” se inova pouco…

      Lembro da primeira vez em que ouvi o Provérbio Português (“A necessidade aguça o engenho”), dito por um amigo recém chegado da “terrinha”. Na época ele havia passado por sérias dificuldades na Europa, mas só se decidira voltar ao Brasil depois de superar vários desafios, retornando com um novo negócio para ser implementado aqui!

      Nas mentorias, percebo que as pessoas chegam preocupadas, pois a maioria está num momento de “ponto da virada” em suas vidas, porém, quando se toma consciência das possibilidades um novo mundo surge, de fato!

      Obrigado por ler e compartilhar suas ideias!
      Rafael Giuliano

    • Pois é Silvana…

      É vivendo que aprendemos! E, para ser honesto, quando a estrada é mais sinuosa prestamos mais atenção tanto à jornada quanto à paisagem! (rs)

      Que possamos apreciar ainda mais 2016!
      Rafael Giuliano

  3. Parabéns Rafael,
    Mais um grande texto cheio de reflexões.
    Eu, jovem a mais tempo q vc, rsrsrs já passei por muitas crises, sobrevivi a todas e saí mais fortalecida. Crise faz parte da vida e do crescimento seja ela qual for. Temos sim, q manter o otimismo mas sem ignorar a realidade. Em tempo de CRISE, CRIE!!!

  4. Belo e inspirador texto Rafael.

    Realmente o efeito negativo da crise, e que estamos incorporando em nossas atitudes de forma involuntária, é devastador. Precisamos pensar nas oportunidades e como podemos fazer nossa parte, de foma diferente, tentando outros caminhos e soluções.

    Obrigado pela injeção de ânimo!!!!

    • Olá Fábio,

      Eu que agradeço por estarmos juntos nesta jornada por um verdadeiro ano novo.

      Este ponto que você coloca, a respeito de “fazer nossa parte”, é talvez nosso maior desafio na tomada de consciência para transformarmos essa realidade.

      Seguimos em frente, com a certeza de que pode ser diferente!

  5. É bom ler algo inteligente falando sobre a crise, as pessoas botando a culpa na crise por tudo e reclamando sem fazer nada a respeito é o que mais me entristece. Belo ponto de vista e vamos em busca de dias melhores.

  6. Excelente texto reflexivo Rafael.

    A crise tem o objetivo de nos tornar mais fortes, como diz a bíblia em Romanos 5:11 a tribulação nos leva a paciência, por conseguinte a experiência e por fim nos traz a esperança e esta significa: reinventar-se e não desistir nunca.

    Um excelente 2016 a todos

  7. Olá Rafa(el),

    Excelente texto! Eu, particularmente, estou adorando a forma como as pessoas estão consumindo hoje em tempos de crise: o abacate está caro? Pegue o mamão então que está mais barato! Existem duas barraquinhas na feira que vendem o mesmo produto, mas um foi produzido localmente e outro é importado? Vamos comprar do senhorzinho artesão de Curitiba então!

    Poderia ficar horas citando exemplos como estes, mas o que quero mesmo é que, como já aconteceu em outras épocas (lembro muito bem da minha mãe pedindo pra eu ir na panificadora garantir o leite do dia), que superemos esta crise e tiremos uma lição dela seja aquela que melhor sirva para cada um de nós.

    Um ótimo 2016 para nós!

    • Olá Cris,

      Tenho a mesma percepção… As pessoas podem nem perceber, às vezes, mas começam a agir de maneira mais inteligente. O desafio é trazer essas práticas para a esfera consciente, de maneira a transforma-las em melhores práticas contínuas!

      Seguimos com o lema de que “aqui se discute política sim senhor”, afinal de contas a política discute sobre nós, todos os dias!!!

      Obrigado por compartilhar suas reflexões.
      Rafael Giuliano

  8. Olá Rafael!

    Muito pertinente seu primeiro texto de 2016. Parabéns!
    Eu acredito que sempre depois da crise nos tornamos melhores e é com esse espírito que ainda aposto no Brasil e na melhora do nosso cenário econômico e político. Este ano teremos eleições municipais e será uma excelente oportunidade de escrever um novo fim!.

    Abs
    Aline

    • Olá Aline,

      Com certeza, as próximas eleições precisam ser reflexo de nossa visão mais crítica sobre a realidade. E o voto é uma das nossas principais manifestações sociais.

      Esperando também que se ampliem os exemplos de melhores práticas, a fim de que a sociedade cresça em envergadura moral para cobrar atitudes mais dignas de nossas instituições, portanto, das pessoas que estão lá!

      Obrigado por compartilhar suas impressões!
      Rafael Giuliano

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