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O princípio da Adesão Livre nas mudanças organizacionais

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Post-arg01.17Nesses mais de onze anos de jornada, cada projeto com o qual contribuí também me ensinou algo importante. Lembro da primeira vez em que me preparava para mediar uma experiência de aprendizagem com um grupo profissionais ligados a uma cooperativa. Na reunião de alinhamento da proposta fui apresentado ao material que conceituava o modelo de negócio, regras e, o mais importante, os Princípios do Cooperativismo. Dentre eles um me chamou a atenção de maneira especial: Adesão Voluntária e Livre.

O princípio se explica da seguinte maneira: As cooperativas são abertas para todas as pessoas que queiram participar, estejam alinhadas ao seu objetivo econômico, e dispostas a assumir suas responsabilidades como membro. Não existe qualquer discriminação por sexo, raça, classe, crença ou ideologia. Este é o primeiro dos sete princípios e estabelece que ninguém pode cooperar, fazer parte de uma mudança, se não for por sua adesão livre. E aí está uma grande lição para todo agente de mudança nas organizações.

Há algumas semanas, participei de uma reunião com o propósito de apresentar o plano estratégico para mudanças sensíveis no modelo cultural de gestão de uma organização. Estavam presente os diretores, parte da equipe gerencial e alguns líderes. Meu papel era o de compartilhar minha experiência e apresentar as ações que resultariam na construção compartilhada desse novo modelo e as diferentes iniciativas para sua efetiva implementação. Logo no início da apresentação, enquanto eu explicava a fase de Introdução do projeto, quando são criadas diversas peças de comunicação para conquistar e angariar os membros dos grupos de trabalho um dos diretores pediu a palavra e perguntou:

— Desculpe interromper você logo no início… Posso estar sendo muito direto, mas não seria mais fácil se nós simplesmente apontássemos as pessoas que queremos nesses grupos de trabalho?

— Sim, seria mais fácil… — foi minha primeira resposta. — Porém, existem dois princípios fundamentais para que um programa de mudanças alcance os resultados almejados. O primeiro estabelece que as proposições sejam apresentadas pelas pessoas que tornarão essas mudanças possíveis. E para que isso aconteça, aplica-se o segundo princípio, pelo qual essas pessoas precisam aderir, de maneira livre, ao desafio de cocriar e implementar essas mudanças. Se não for pela adesão livre e colaboração, elas [as pessoas] jamais se sentirão corresponsáveis pelos resultados.

Minha resposta deve ter caído como uma bomba de hidrogênio (até 50 vezes mais forte do que qualquer bomba nuclear de fissão) sobre as cabeças do grupo. Isso porque, pelas fisionomias e olhares, minha afirmação parecia ter respondido não apenas aquela pergunta, mas muitas outras a respeito de projetos anteriores que não haviam trazido os resultados esperados pela organização.

A livre adesão precisa ser conquistada e para isso é imprescindível mostrar às pessoas seu papel e importância em quaisquer processos dentro da organização. A primeira ação precisa ser um convite aberto e atraente, mesmo que seja enviado para um grupo dirigido, abordando o propósito do trabalho e de que maneira se acredita que essas pessoas poderão contribuir, pois se elas reconhecem em si o potencial de colaborar passam a se sentirem pertencentes ao projeto, assumindo a responsabilidade pelos resultados.

É comum que depois que as pessoas digam sim ao convite nada mais seja feito até o encontro de trabalho. E esse é um erro estratégico. Do convite até o encontro é preciso literalmente introduzir conteúdos e reflexões por meio de uma comunicação provocativa, que chame os envolvidos para a ação (call to action), de maneira que cada participante se sinta preparado para contribuir com o seu melhor, o que tornará o encontro muito mais produtivo. Essa “introdução” pode abranger artigos, pesquisas sobre o mercado, dados da própria organização ou atividades em que os próprios participantes pesquisarão informações do seu dia a dia para trazer ao grupo. Além de mensagens reflexivas que mantenham acesa a inspiração de que eles fazem parte das soluções que serão criadas.

Ao final da reunião estava claro que o trabalho não aconteceria apenas na data do encontro, nem tão pouco se encerraria num único workshop. Todo processo de mudança, em qualquer organização, sempre envolverá pessoas, e essas precisam aderir livremente para que se tornem parte efetiva da solução.

É incrível o poder de um convite bem escrito, uma mensagem de agradecimento ao aceite e a entrega antecipada das informações que deixarão as pessoas se sentindo mais empoderadas para o desafio.

 

RGiulianoRafael Giuliano,
acreditando que toda mudança começa com uma comunicação que envolva, muito mais do que uma ordem que intimida.

Quer saber mais!? Acesse a apresentação digital que explica as fases do processo de construção da aprendizagem. Ou entre em contATO para descobrir como podemos trabalhar juntos pelo pleno desenvolvimento de pessoas e organizações ainda mais humanas!

3 comments

  1. Olá… reflexão oportuníssima.

    Caiu como uma luva para mim. Vivenciando e administrando diversos grupos, sinto que: “mostrar às pessoas seu papel e importância em quaisquer processos dentro da organização”, é fundamental.

    Porém o comprometimento e a efetiva participação depende de estratégia e habilidade para conquistar a adesão. E isso realmente é uma Arte.

    Obrigado Giuliano,

    Ney Ribas

    • Olá Ney!

      Fico feliz que o texto lhe tenha sido oportuno.

      Sei que a realidade do Observatório Social do Brasil é um constante desafio, mas também acredito que seu propósito ainda é um dos principais elementos de engajamento.

      Conte comigo para potencializar esses laços.

      Com apreço,
      Rafael Giuliano

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