"Transforme a prática em ambiente de reflexão!"

Cada experiência vale por uma escola!

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Sempre gostei da ideia de que a vida é minha escola. Foi Montaigne quem disse: “Se eu fosse um homem de grande erudição, encontraria o suficiente para tornar-me sábio em minha própria experiência”. Essa forma de erudição que anseio, o exercício de transformar cada nova experiência numa escola, e a própria prática em ambiente de reflexão…

Por esse motivo, já há algum tempo os livros deixaram de ser minha única fonte de inspiração e aprendizagem. Sim, eu ainda os leio de maneira voraz, porém, considerando o fato de que eles [os livros] são um meio de dialogar com diferentes pensadores, decidi explorar também outras conversas, expandindo meu olhar para as demais manifestações da consciência humana. Foi assim que me vi rodeado pelas obras de Joan Miró, pintor, escultor, gravurista e ceramista catalão.

Minha viagem à Florianópolis já estava marcada, pois faria uma palestra sobre “O Fator Humano nas organizações” numa terça-feira. Depois de algumas ligações, marquei três compromissos na segunda-feira, aproveitando a oportunidade de visitar meus colegas e participar de alguns diálogos. Foi quando lembrei da publicação de um amigo, comentando sobre a exposição que já havia passado por São Paulo e agora estava na capital catarinense. Não demorou muito para eu decidir viajar já no domingo.

A exposição, como era de se imaginar, enchia os olhos dos visitantes (e os meus também) pelas cores vibrantes, a renúncia ao preenchimento e a exaltação às linhas simples, além de, é claro, suas sutis críticas na forma de obras criadas sobre quadros pintados por outros artistas.

Sempre que havia algum pequeno aglomero de pessoas, eu me aproximava para ouvir os comentários quase inaudíveis, uma espécie de buchicho que revelava tentativas sérias de interpretação ou simples brincadeiras entre adultos e crianças. Mas era evidente que o artista provocava reações, influenciando o pensamento crítico da sua audiência, inclusive a mim mesmo.

No dia seguinte, ainda influenciado pela experiência da exposição, decidi ilustrar parte de minha palestra com obras de Miró, trazendo-o como um exemplo de “fator humano influenciador”. Falei aos participantes sobre o exemplo do artista e de como ele havia influenciado toda a perspectiva que se tinha da arte, reverberando até hoje. Foi assim que consegui demonstrar a um grupo de líderes como se manifestam a influência e a inspiração também em nosso cotidiano, quando somos nós os responsáveis por influenciar e inspirar outras pessoas e a nós mesmos.

Para minha surpresa, após o encerramento e aplausos, lancei a chance do grupo me fazer mais uma pergunta, então um dos participantes questionou: “Ok, só faltou você dizer onde e quando podemos visitar a exposição?”. Todos riram, mas também anotaram as informações sobre os horários de visitação e o endereço do museu.

É comum eu receber e-mails de pessoas solicitando sugestões de livros (estou até pensando em começar a publicar os comentários de minhas leituras). Entretanto, sempre que tenho a oportunidade, procuro mostrar às pessoas que a principal fonte de aprendizagem está no exercício de refletir sobre as experiências do cotidiano, transformando-as em sabedoria. Afinal de contas, como já foi dito Aldous Husxley:

“Experiência não é o que acontece com você; é o que você faz com o que acontece com você.”

Por isso a importância de desligar o piloto automático e aproveitar cada momento para se apreciar e refletir um pouco. Melhor ainda se este ócio puder ser exercido numa exposição de arte, espetáculo musical, cinema ou nas boas conversas em rodas de amigos…

E você, o que tem feito com o que acontece com você? Experimente experienciar mais!!!

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